sábado, 10 de março de 2012

sambei só

em casa
depois de algumas horas
sambando

sem acreditar
que poderia algum dia
ter a ginga da morena
longe disso - pelo menos um touch
de mulatice nessa existência albina

fui lá
descrente
e sem esperanças
depois de goles largos
da original
amarela e gelada
...sambei
como nunca
como nunca havia me visto
sambar. dançar?
fazia tempo TEMPO

o sentimento da vida
transbordando pelas têmporas
e um constante e reconfortante
sentimento de foda-se
colado em mim
to fazendo certo? foda-se
to dançando direitto? foda-se

o dobrar dos joelhos
queimando
o quadril de bailarina imóvel
por anos
-
se algum dia poderei ter esse título
-
o respirar a música
o perder-se
o encontrar-me.

minha alma
ou esse algo de essencial que sou
tão suspiros
leve, solta de tudo
livre do boteco
e pesada - ao mesmo tempo
a constante
briga
entre cérebro
e esse bater ininterrupto

os pensamentos
e os sentimentos pesados
caem no infinito do deixamos pra depois

e cedem espaço
à música
a noel
e às notas do saudosíssimo

o corpo
especialmente contorcendo-se
em um samba solitário
verdadeiro e entregue
à minha vontade
à necessidade
de mandar o mundo pra fora
colocar o sangue em segundos de passitos

dançar voltou
a ser prioridade
para minha própria
saúde mental



domingo, 26 de fevereiro de 2012

não tenho medo do escuro

mas deixe as luzes acesas

é com legião que começo
esse texto fracasso
fracasso
porque
provavelmente
vai ficar por aqui
nesse universo virtual rosa
antigo
um absurdo da inexistência

e hoje?

só para falar do dia
de mim
de quanto tempo não escrevia e
vomitava meus sentimentos
volver
com minha terapia solitária
escrever como se não houvesse
mais nada a ser feito

cuido as palavras,
ainda não as reacostumei
a despejarem-se loucas
como antes

são são paulo
ensolarado
quente como nunca
a amiga
boa e velha
vindo de passo fundo
uma tarde que promete
ser bonita, agradável
nova

é isso que eu quero, não?
novidade
pessoas
coisas
momentos
um mundo estranho pela frente
gosto da sensação
de começar de novo
de estar sozinha
e desamparada
indo contra a parede
de cara
de frente
dói
mas me faz sentir
me sentir
viva

nos entantos
tantos que tem
é tão difícil
como uma viciada
procuro meios de

distrair

de fugir da solidão
de mim mesma

aí penso
paro
repenso
respiro
e de novo
me obrigo
a ficar
na total
solidão





vamos ver no que dá.

domingo, 18 de dezembro de 2011

cerveja na caneca da caveira ou have fun you happy people

calor impregnado no apartamento pequeno
calor do sol quente
que fez no dia de hoje
e já agora
na madrugada dura e urbana paulistana
ainda continua igualmente
quente.

meus pensamentos se misturam ao sono
e ao cansaço dos ossos
de um dia de trabalho puxado

só há bruma diz ela
com voz doce e se esconde
em mim
fecho a porta, ligo a música
e minha vida?
e eu?
onde estão?
o que aconteceu
com aquela ambição
a vivacidade, o brilho
nos olhos grandes verdes
com uma marquinha de caveira no esquerdo
onde foram os dias que corriam bonitos
fluidos, cheios de vendavais e certezas
para onde foram as certezas da vida
vãs e incertas que fossem
confortavam esse coração aprisionado
que ainda pulsa
e pula
e vibra
e acalma
ao ficar só e calmo
e deixando a razão
ajudar no mais íntimo sentimento
e quantos deles!
ela vem
e organiza tudo
pra depois quando se está chegando quase lá
quase na certeza
quase na resposta
tudo desaba e se modifica de novo

e se perde
e só me encontro
nas palavras

calma, caroline
respira

e bebe a cerveja na caneca.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

das minhas noites a S Ó S comigo mesma

não poderia deixar de falar-lhes
escrever-lhes
antes do fim do ano
- que vem a galope
tirando o natal empoeirado
do saco do bom velhinho
e das mangas dos publicitários de plantão -

precisava falar sobre,
antes de chegado o esperado e temido
fim
- e de todas as chatices e preparações que (não) se antecipam -

o fim da faculdade
o fim do tcc.
o fim de uma ERA
o fim de uma vida
a vidinha de uma criança trabalhosa
malcriada
mas tão bem zelada e cuidada que foi
essa tal faculdade

e de moda! ainda por cima,
essa guria quis inventar ser gente grande diferente
uma nova coisa, desconhecida
- vai virar costureira?

quem dera virasse, e com orgulho.

mas me formo estilista
pomposo, né? ryco - só de status e que paga pouco
o grande grande gatsby dos cursos

mas será o benedito?
paga pouco, trabalha-se muito
isso é para poucos - e sábios ou demasiado estúpidos?
:
satisfazer-se com o seu trabalho.
deixando no vão da amnésia, todas as agruras
e percalços
e salários e freelas mal pagos
e tempo parco para si mesmo
e celebra-se o amor à profissão.

se me perguntarem
se me emociono com um desfile
desculpa
não

choro com filmes mal feitos
final de novela
cachorro abandonado
tpm
simplicidade
se abujamra me perguntasse,
sim choro diante da beleza
e diante de tudo que me convem rolar lágrimas

mas a MODA
tem dois caminhos na minha vida
acho
é o palpável do dia a dia
sim, trabalho com isso, diretamente.
mas, não, não conheço e ja-mais conhecerei
tudo da moda
tudo na moda
todo o universo que ronda
esse pequeno ponto
eXquisito e torto
que é

- a vaidade humana
o desejo
a vontade latente
a felicidade material
-

a moda
é pertencente a um mundo misterioso

... que
admito
se esvai nas noites de poeira nos olhos
canseira do computador nos joelhos o fim de semana todo
as quartas-feiras a ouvir sobre marketing e abra na página 254 do kotler
ou a alfinetar um inocente manequim de moulage
e... CRIEM! em uma plena segunda-feira de pitos
e estresses no trabalho

mas respira-se fundo
toma-se o ar da madrugada
menos poluída
de uma são paulo mais úmida

e resgato a vontade
o amor que me moveu às escolhas que fiz
e o sinto
leve, como uma chaminha azul de fogão
muito quente e trêmula
a lembrar-me do sentido das coisas




perdoem a ferrugem na minha escrita
a vista já arde do dia e da luz branca
e o tempo escorre - não o tenho nunca
- mas só esse ano, de tcc -
só me sobram comigo mesma
e com dominique
a espreitar um dedo estendido para enroscar-se de carinho
as noites, de semana
chega em casa, banho, comida, dormir.

às vezes um garcia marques me ganha na cama, duas linhas e tchau
e poucas after midnight a inspiração chega a esse nível
de falar-lhes
no mundo cor de rosa antigo do gato preto

quinta-feira, 26 de maio de 2011

reflexões sonolentas de um dia de semana ou queria ter dinheiro para pagar um psicólogo

preciso voltar a escrever
a falar para o mundo
de mim
por mais que este não queira me ouvir

é
para mim
um ótimo divã

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

.

um gomo
bola
incômoda
irritante

sou o que eu sou
o que quero ser
a única coisa
que eu posso ser

me tenho
tenho a minha vida
os gostos
que são meus
assumo

assumo minha vontade
de ficar
ou de sair
mais de sair

do que ficar
des
lo
cada

domingo, 6 de junho de 2010

crônicas de lembranças, sonhos e frio ou volto pra são paulo hoje e quero muito te ver, tenho saudade, beijo, tchau.

na última vez que estive por aqui
nesse meio cor de rosa
envelhecido
o gato preto
de perto, de pertinho!

os textos
virtuais
ou nem tanto assim...

falei sobre passofundo, lembram, de certo

e cá estou num momento breve
breve feriado, aquele que a gente nem sabe
nem sabe porque é
por quem é

mas é dia que descansa
calmo e quase vil nas pequenas
cidades

chefe libera
redação não trabalha

passofundo à vista
15 horas de ônibus
incômodo e quente
da poltrona que não deita
da vontade de deitar

chega e fica e conversa e passa
o relatório de dois meses
o futuro
o que se pretende
o que se quer

eu quero.
só sei disso
o que
é que não dá
pra saber
talvez nunca se saiba
- esse que é afinal o mistério
e a graça
de tudo.

eu quero
os gatos
os pais
a ninhada de cachorros
ainda purulenta de ter nascido
o frio
a veiarada
gringos, gritam
fazem comida
bebem vinho

quero a grama e quero
o sentimento

quero sentir

sentir o vento gelado
no rosto branco
cortando o lábio
vermelho
fazendo nascer lagriminhas
que escorrem do canto

dentro do carro
o som ligado
uma voz distante
doce
que me diz rasgue as minhas cartas e

aí lembro lembro lembro
daqueles dois meses ou mais
não lembro
que fiquei sem
você.
que o peito doía
sem querer
sem saber
de nós dois e
ia
de mal a pior

lembra?

e sinto a vontade de correr
de ficar no relento
colocar a cabeça pra fora
deixar o cabelo
voar solto
no ar
que corta e aniquila
sorrir
ao ver de longe
o belo degradê
do por do sol
no cinza e azul céu que traz mais
.
.
.